Biocombustíveis

Vale compra Biopalma da Amazônia

Saturday, 05 de February de 2011

Vale compra Biopalma da Amazônia

A mineradora Vale anunciou a compra, por US$ 173,5 milhões, do controle da Biopalma da Amazônia, empresa produtora de óleo de palma, matéria-prima para a produção de biodiesel. Em nota, a Vale informou que o objetivo da aquisição é utilizar o combustível produzido para alimentar sua frota de locomotivas, máquinas e equipamentos de grande porte em suas operações no Brasil.
'Nossa produção de biodiesel será destinada a auto-consumo, previsto no uso do combustível B20 (20% de biodiesel e 80% de diesel comum) para abastecer nossa frota de locomotivas da Estrada de Ferro Carajás e máquinas e equipamentos de grande porte das minas de Carajás, no estado do Pará', anunciou a Vale. Com esta iniciativa, a mineradora se antecipa à regulamentação que prevê o uso de B20 em 2020.
Em abril de 2009, a Vale já tinha firmado com a Biopalma um consórcio para produção de óleo de palma. Mas negociou a dissolução deste consórcio e a obtenção da participação de 70% da empresa, para viabilizar a expansão do negócio. a ocasião da assinatura do consórcio, a Vale informou que toda a produção se daria em terras degradadas, para não permitir a devastação de novas áreas. E também que o consórcio beneficiaria duas mil famílias de pequenos produtores rurais da região, criando cerca de seis mil empregos diretos, ao estimular o cultivo da palma de dendê.

Plano ambicioso

A operação faz parte de um ambicioso plano da mineradora para abastecer suas locomotivas, que fazem o transporte de minério, com combustível mais limpo. O produto servirá prioritariamente como combustível para o maquinário e para as 200 locomotivas que escoam a produção de minério do Pará e em grandes equipamentos na mina de Carajás, no mesmo Estado.
A Vale anunciou que pretende atingir uma produção de 160 mil toneladas de biodiesel de palma, o equivalente a 20% do consumo energético da companhia e representará 12 milhões de toneladas de gás carbônico a menos na atmosfera.
"Os investimentos realizados na produção de biodiesel fazem parte da prioridade estratégica da Vale em ser um agente da sustentabilidade global, construindo portanto matriz energética com participação crescente de combustíveis renováveis", disse a mineradora em nota. A estratégia da Vale de diversificação e otimização de sua matriz energética prevê maior utilização de carvão térmico, combustíveis renováveis e gás natural.
Atualmente, a empresa de biocombustível possui seis polos de produção em implantação na região do Vale do Acará e Baixo Tocantins, no Pará. A empresa começará a produzir óleo de palma em 2011, com a expectativa de atingir a produção anual de 500 mil toneladas em 2019, quando a lavoura atingir sua maturidade.
Hoje são 18,4 mil hectares plantados, com previsão de mais 14,4 mil hectares de plantio no primeiro trimestre. Todo o cultivo da palma de dendê está concentrado em uma área de 130 mil hectares, nos municípios de Moju, Tomé-açu, Acará, Concoródia do Pará e Abaetetuba - municípios que possuem alguns dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil.
Atualmente, é pequena a produção de biodiesel com essa matéria-prima no Brasil. O biodiesel usado no Brasil tem 80% de diesel comum e 20% de biodiesel de soja e de outras oleaginosas, como girassol e óleo de dendê (ou óleo de palma).
A empresa adquirida pela Vale, conta com 3.200 empregados. Até 2013, as metas serão plantar 60 mil hectares com dendê e destinar 75 mil à recuperação e regeneração de mata nativa. A Vale quer fazer da Biopalma a maior produtora de óleo de palma das Américas.



Marcadores: biocombustíveis, biodiesel, renováveis, GEE, CO2, sustentabilidade, recuperação de áreas degradadas