Biogás

Vinhaça será explorada para produzir energia

Tuesday, 26 de April de 2011

Vinhaça será explorada para produzir energia

O potencial da vinhaça para a produção de energia começará a ser explorado pela primeira vez em escala industrial, a partir de parceria com usina nordestina. A Cetrel S.A. - Empresa de Proteção Ambiental acaba de inaugurar, na Destilaria Japungu, no estado da Paraíba, sua primeira planta piloto de bioenergia a partir da vinhaça da cana-de-açúcar. A Cetrel é controlada atualmente pelo grupo Braskem, que detém 54% de seu capital.

Subproduto do processamento da cana de açúcar utilizada na fabricação de etanol, a vinhaça (ou vinhoto)m já foi considerada resíduo indesejável e poluente. Ultimamente, tem sido muito utilizada em processos de fertirrigação de lavouras, principalmente de cana. Algumas usinas também aproveitam o resíduo para a produção, por meio de biodigestão, de vapor para movimentar caldeiras.

A Cetrel construiu a planta-piloto de bioenergia em Japungu com o propósito de aperfeiçoar o processo já desenvolvido pela empresa para produção de biogás e posterior geração de energia elétrica. Mas já tem em andamento projeto de outra unidade, em escala industrial, em Pernambuco, que deverá entrar em funcionamento no segundo semestre deste ano.

O projeto para geração de energia foi aprovado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em 2008, num investimento total de R$ 7,5 milhões, dos quais 30% subvencionados pela instituição e 70% pela Cetrel.
Com prazo de três anos, o projeto foi iniciado em janeiro do ano seguinte, com o começo dos testes em laboratório, que incluíram, entre outras etapas, a análise das características físico-químicas da vinhaça e a montagem de um conjunto de reatores para o experimento.

A planta piloto poderá processar entre 50 e 300 litros de vinhaça por hora, já incluindo sistemas de bombeamento, tanques, estruturas analíticas e um sistema digital de controle distribuído (SDCD), que permite monitorar processos de forma automatizada. Todo o pacote foi formatado, diz Suzana, para permitir uma "operação mais robusta e segura, mais próxima do processo industrial".

O processo utiliza bactérias para transformar o conteúdo orgânico da vinhaça, medido pela demanda bioquímica de oxigênio, em metano e dióxido de carbono. O biogás obtido, composto basicamente de metano, vai alimentar um motogerador ou uma turbina, que por sua vez deverá gerar energia.

O potencial de geração dependerá essencialmente da qualidade da vinhaça e do volume de material orgânico contido no resíduo. A produção de um litro de etanol, por exemplo, gera um volume 10 a 14 vezes maior de vinhaça. Numa estimativa aproximada, para produzir cerca de 27,5 bilhões de litros de etanol por ano, as destilarias brasileiras produzem entre 270 bilhões a 380 bilhões de litros de vinhaça, o que corresponderia a uma energia potencial equivalente a meia hidrelétrica de Jirau, que terá capacidade instalada para 3.750 megawatts.

A vinhaça pode ser aproveitada para gerar energia limpa e de forma descentralizada, o que seria uma vantagem em relação aos custos de distribuição da energia hidráulica.



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